23 de mar de 2012

"Atualmente vive em um sítio em Capão do Leão, distrito de Pelotas"

Acabo de receber no mural do facebook, às 03:00  h do dia 23.03.2012, de uma grande amiga (diga-se de passagem),  um link de um site que disponibiliza artigos sobre escritores e matérias sobre a docência. Então, lendo o final do artigo, partilhado pela Simone, fiquei espantado quando vi “Atualmente vive em um sítio em Capão do Leão, distrito de Pelotas”.

Pra muitos que moram fora do município de Capão do Leão acham que ainda esse território pertence a Pelotas, isso me indigna um pouco, mas mais ainda quando os próprios moradores fazem uma crítica somente pela critica, sem apontar ou refletir verdadeiramente sobre esse município.
Não sei de quem foi o erro, se do site, do escritor da matéria ou do próprio cidadão em questão. O pior que eu enchia a boca para falar que foi um “leonense” que tinha criado o uniforme canarinho da seleção.
Bueno enviei ao site um e-mail pedindo a atualização, notifiquei que Capão do Leão tem 30 anos de independência, quer dizer emancipação (outra bobagem).
Quero aqui fazer uma indagação pra fazermos uma reflexão nos comentários desta postagem. O que leva os moradores de Capão do Leão não terem uma identidade própria ou não se reconhecer como um território emancipado de Pelotas?

8 comentários:

Marcel Lettnin disse...

Simples de responder à pergunta: dependência. É a palavra chave, caro amigo Douglas. Capão do Leão, de acordo com dados geográficos, etc, é uma "cidade dormitório", ou seja, as pessoas dorme aí, mas sobrevivem em Pelotas. Eu mesmo, quando morava aí, passava o dia inteiro em Pelotas, logo não é tão difícil de entender o porquê dessa "confusão" que os próprios moradores têm, embora eu não concorde, também, ou seja, compartilho da mesma tua opinião. Penso que o povo deve ter identidade própria e entenderem, se entenderem enquanto um município. Não sei se ficou confuso, mas essa é a minha humilde opinião. Abraço!

Gabriel Andina disse...

Concordo em parte com o Marcel.Infelizmente a população leonense depende muito da estrutura de Pelotas.
Porém isso não pode ser justificativa, acho que é o momento da população leonense lutar pela valorização de nosso município, e buscar uma mudança em nossa cidade!

Jesus Madeira (El Loco) disse...

Muito embora, Capão do Leão seja uma cidade dormitório, com tendência de aumentar ainda, discordo que esse seja o real motivo para isso. Capão do Leão possui diversas empresas de médio e grande porte, mais até que muitas cidades na região, que possui indepenência própria.
O probelma está na cabeça do povo que vive aqui.
Moro faz alguns anos no Capão e pude sentir na pele esse problema.
Como profissional na área do direito eu já ouvi coisas absurdas da população local.
Um exemplo, as pessoas preferem contratar um profissional em Pelotas, mesmo pagando mais por isso, tendo que pagar ainda as passagens dos ônibus.
O problema está nas pessoas que aqui residem, está nesses políticos que estão há anso no poder, que não vejo fazerem nada para melhorar a cidade. Digo dos políticos porque quando fiz o meu negócio, ninguém veio me dar apoio e quando vai buscar alguma coisa, sempre colocam um empecilho.
Assim, todos somos culpados pela embairramento do Capão do Leão. Por ser cidade dormitório por si só não justifica. Canoas é uma cidade dormitório e é muito rica.
Quanto a matária do jornal, ela já meio antiga, já tinha visto. Mas a pessoa em questão, é bem provável que nada tenha contribuido para isso. Conheço o Prof. Aldyr, ele nunca negou suas origens. Os jornais erram, isso tbm deve ser levado em conta.
Um forte abraço, espero ter contribuído!

Vulcka disse...

Fico extremamente irritada quando pelotenses dizem que somos território de Pelotas, ou, pior ainda, que o leonense mora "para fora". Não somos zona rural! Somos uma cidade, temos a nossa tribo e deveríamos ser mais "barristas" com a nossa terra. Entretanto (já que sempre há um porém), a maioria dos leonenses nem sequer leonense é, afinal, não temos maternidade, o que obriga que o nosso nascimento aconteça em Pelotas. Já começando pelo nascimento, muita coisa ainda (e digo ainda porque espero que esta realidade mude) não temos e precisamos recorrer a nossa cidade genitora. Esses 30 anos de independêcia englobam apenas a parte política, o que já foi uma vitória, mas talvez não seja o bastante. Hospital, não temos. Biblioteca, não temos. Cursos profissionalizantes, alto índice de empregos...
Essa dependência faz com que nossa identidade nos seja negada. Somos Capão do Leão, mas nosso sobrenome é Pelotas.

Simone Xavier Moreira disse...

Pois é, Douglas, quem criou a camisa canarinho não foi nem um leonense, nem um pelotense. Schlee é jaguarense (daí toda sua referência a cultura de fronteira na obra dele). Mora aí, foi professor universitário e viveu muitos anos aqui, mas nasceu lá.
Outra questão: como se diz, "o buraco é mais embaixo". A informação equivocada vem do jornalista Ruy Carlos Ostermann, autor do blog, mas ele não tirou do nada. A Wikipedia apresenta a mesma informação. Espia lá http://pt.wikipedia.org/wiki/Aldyr_Schlee
Não sou uma profunda conhecedora da cultura "leonina", mas em termos gerais acho que esta dificuldade (se é que podemos chamar assim) em constituir-se uma identidade local na cidade é normal.
A emancipação se deu mais por razões políticas e econômicas do que por questões culturais.
Se formos observar a história do Brasil, p.ex., quanto tempo e quanto esforço foi necessário para nos separarmos de Portugal...
Também vivemos em um tempo (a tal globalização) no qual muito estudiosos questionam a existência de "identidades" tão definidas como se podia detectar em outros períodos.
É um processo lento...
Abraços

Marcel Lettnin disse...

Eu não entendo como podem discordar que o motivo da falta de identidade NÃO seja pela questão Capão cidade dormitório, afinal, todos outros motivos que citaram aqui decorrem da questão dormitório, caracterizado fortemente pelas questões citadas pela Luana.
Talvez não seja o único motivo, entretanto é a origem do problema, aposto, confirmado pela citação da Luana: "a maioria dos leonenses nem sequer leonense é, afinal, não temos maternidade".

Sinceramente, não vejo luz no fim do túnel. É complicado e arriscado dizer isso, mas não vejo motivo para tal emancipação. Cadê o PIP do Capão do Leão? Uma pedreira que funcionava uma vez por ano? Não tenho dados certos para justificar isso q tô dizendo, embora essa seja a minha opinião. Capão do Leão não possui estrutura para ser uma cidade suficientemente organizada a ponto de ter uma identidade própria, bem diferente de Canoas, "amigo". Canos, pelo contrário, é, se não me engano, a terceira cidade do estado em economia... preciso dizer mais alguma coisa? Não vejo inteligência em comparar Capão do Leão-Pelotas à Canoas-POA.

Essa é minha opinião e como disse acima, repito, humilde. Não fiz nenhuma pesquisa, nem nada, mas é o que penso no momento e, óbvio, pode ser mudado. Queria, eu, como LEONENSE que sou(me considero leonense, embora tenha nascido em Pelotas), que as coisas mudassem, assim minha opinião também ^^

Sem mais!

Marcel Lettnin disse...

Simone, falaste tudo, inclusive, penso eu, ainda somos dependentes de Portugal, embora nossa independência no século XVIII, e justifico isso pelo acordo entre os dois países, em 2009, sobre a nova ortografia. Identidade é uma questão bem complicada e complexa de discorrer, criticar, refletir, etc.

Marcel Lettnin disse...

PIB**

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