12 de jun. de 2010

Carta aberta


Capão do Leão, 07 de junho de 2010



 Ao invés de iniciar dizendo carta aberta poderia começar dizendo um desabafo a todos os responsáveis pelos últimos acontecimentos. Queria gritar para todos ouvir que a juventude está pedindo socorro, que está implorando por vida, mas gritar pra quem? Desabafar pra quem?
 Foi uma surpresa em tanto quando recebi a carta do saudoso Hilário partilhando sobre a atual realidade do IPJ. Fiquei com um sentimento de indignação, com uma dor imensa no peito, cogitar o fechamento do IPJ é doloroso a qualquer jovem que tenha tido o contado com esse instituto.
 A igreja ainda está muito distante dos jovens, mas peço a Deus que amoleça o coração aos lerem essa carta e sensibilizem e tomem conhecimento do quanto o IPJ é importante não só pra mim, mas pra muitos jovens gaúchos.
 Sou Douglas Ferreira dos Santos da paróquia Santa Tecla do Capão do Leão da Diocese de Pelotas, participo da PJ aproximadamente nove anos e atualmente estou contribuindo na equipe da coordenação da diocese e na equipe executiva do regional sul três com a comunicação.
 Participei do 15º animadores realizado pelo IPJ e posso afirmar que foi um divisor de águas. Foi em um momento do qual mais precisei que o IPJ, através do animadores, pode me ajudar, estava enfrentando problemas em minha paróquia e diocese e este soube aconselhar-me além de acompanhar o meu projeto de vida que até em tão não dava muita importância.
 Meu coração enche de alegria quando penso dos belos momentos vividos nas quatro etapas deste curso, das amizades feitas, dos olhares percorridos, dos carinhos de jovens companheiros que lutam pela vida da juventude. Cada momento vivido lá foi tão intenso que a vontade de viver novamente é muito grande.
 Mas não é só nos momentos de convivência que o IPJ contribui na vida da juventude, este faz que tenhamos força para seguir na caminhada levando a boa nova a outros jovens que estão na marginalidade e morrendo sendo vítimas da violência e do extermínio por não conhecer “o Caminho, a Verdade e a Vida”.
 Em seu desabafo, PE Hilário me marcou ao dizer “cria-se um filho para depois mata-lo” lembrando do grande objetivo do qual foi criado o IPJ e agora simplesmente querem acabar sem lutar com todas as forças para este espaço continuar existindo, pois este espaço é nosso é da juventude.
 A cada dia a igreja, as congregações, os padres e bispos estão me mostrando que estão levando uma bandeira que não carregam.
 Tenho a consciência de que nada mudarei, afinal além de ser jovem sou leigo, mas independente do rumo que decidirem ao IPJ quero agradecer a todos que colaboraram, seja financeiramente ou com a doação da vida, para que este espaço tenha sido um espaço de construção do reino. Muito obrigado.

Douglas Ferreira dos Santos
douglas.ferreiradossantos@gmail.com

3 de jun. de 2010

Celebração de sentimentos: Felicidade e Tristeza

Senhores e Senhoras
 é bastante contente que partilho que neste mês faz um ano que o blog “Douglas da PJ” está no ar. Este espaço tem com objetivo partilhar materiais, experiências de vida, formação, deixar registrados meus sentimentos de alegria, angustias, indignações, textos, histórias, as poesias/poemas que tento escrever e meus sonhos. O blog é um Douglas virtual, aqui você pode ver realmente quem eu sou, a pessoa complicada de lidar, mas comprometida com a proposta de Cristo. È legal que este espaço esteja à disposição de tantos outros pejoteiros ou não, e vejo que a cada dia cresce os usuários deste instrumento que bem utilizado pode ser ferramenta na construção do reino. Agradeço a grande contribuição do companheiro Henrique Pejoteiro que muitas foram às dicas de blog e configuração.

                Foto: Cruz da PJ - Corpus Christi 2006      
   Estamos em plena festa de Corpus Christi, celebração do corpo que nos alimenta e dá força para seguir na caminhada. Uma festa bonita onde o próprio Cristo se mostra aos demais em procissões por diversas ruas, avenidas e costumes de realizar esta festa.
 Sei, através de uma amiga, que na Itália os tapetes que enfeitam a procissão são feito de flores e folhas que são tratadas um bom tempo antes para chegar até o ponto para a realização de belíssimos tapetes. Em outros lugares, como vimos em reportagens é feito de alimentos que depois  distribuídos aos que precisam e o mais comum e confeccionar com serragem, pintando e depois dando a forma de diversos temas. 

Foto: P/ Copa - Corpus Christi 2006

 Em minha paróquia é organizada desta forma, a juventude junta serragem, pinta-as e depois na madrugada de Corpus Christi realizam a confecção. Essa atividade era antes realizada na cidade de Pelotas (cidade sede da Diocese), mas desde 2002 começou acontecer essa celebração nesta cidade, Capão do Leão da qual eu tenho um enorme carinho, afinal moro aqui desde que vim ao mundo.
 A mesma felicidade que preenchia meu coração e que me motivou a partilhar sobre o primeiro ano do blog e do Corpus Christi no ínicio foi substituída por um sentimento de indignação, tristeza e dor, sim dor, dói pra mim sim.  

Tinha optado por não tornar público, mas diante da atual realidade acho que o melhor que tenho a fazer é partilhar a todos os amigos, visitantes, companheiro e fuxiqueiros que cuidam da minha vida o que tem se passado nestes últimos meses.
 Todos bem sabem minha opção por uma igreja libertadora e o trabalho da construção da civilização do amor através da PJ e CEB’s.
 Pois bem, participo da Pastoral da Juventude aproximadamente 10 anos, todos estão carecas de saber de que sou de uma família católica que sempre me incentivou a trilhar esse caminho, aqui faço um agradecimento especial a minha mãe que tanto amo e devo tudo. Optei por participar de uma pastoral comprometida com a proposta de Cristo por ter vivido experiência de Deus e sentir o chamado dele neste meio e não em quaisquer outras movimentaçõezinhas, por ai. Por ter tido essa escolha faz com que eu perturbe muita gente, questionando e não engolindo porque foi fulano ou ciclano que disse.
 Passei por cada etapa nesta pastoral, vida em grupo, coordenações, equipe de trabalhos e há algum tempo vinha sentido a necessidade de partir pra outras instancias, como políticas publicas, enfim mas em minha paróquia não havia uma liderança ainda que continuasse com a proposta da PJ.
 Tive a idéia então de propor um ano de trabalho diretamente com a juventude, que os jovens fossem a opção de trabalho. Em assembléia paroquial foi então acolhido o ano paroquial da juventude com objetivo que depois de Cristo os jovens fossem o centro da comunidade. A felicidade era tanta que eu sorria sozinho, a paróquia estava disposta a trabalhar verdadeiramente pela juventude e mais ainda com o apoio do padre.
 Com o tempo vieram se confirmar os sentimentos que temia que acontecesse, a paróquia e mais especifico a pessoa do pároco estavam levantando uma bandeira que não estavam carregando verdadeiramente.
 Diante dos fatos que estava acontecendo, mentiras que estavam (e estão) sendo ditas, pessoas dificultando os trabalhos resolvi então conversar com o Sr. Pe. Fabiano. Sem sucesso, pois com uma pessoa autoritária é difícil manter uma conversa, pois sempre quer dominar o assunto e ser o dono da razão além de levantar fatos confusos.
 Resolvi então escrever um e-mail, coloquei o objetivo do e-mail, o porquê eu estava escrevendo e coloquei o meu desabafo, foi quase um pedido de socorro de alguém que não estava mais agüentando carregar um fardo muito pesado diante da realidade que estou vivendo com mãe doente e sem o companheirismo de meu pai. Resulto? Um grande e belo “chute” no traseiro, esse cidadão, pastor da igreja local me convidou a me retirar do trabalho com a juventude, levantando mentiras e julgando de que estou para atrapalhar a construção do reino de Deus além de querer criar conflitos entre os “escolhidos” do Senhor.
 Nunca iria imaginar tal reação, afinal, o pastor tem que cuidar de suas ovelhas ao invés de fazer questão de perdê-las.  “Mas esta tem sido a cruz dos cristãos nos últimos tempos” como disse uma pessoa amiga.
 Não dei resposta ao convite por estar bastante em dúvidas, afinal sinto-me sozinho e não sei quais escolhas a fazer tanto pastoral, profissional...
 Se continuar sei do poder de manipulação que um padre tem, mas se não, fico com o sentimento de estar errado, e isso eu sei que não estou.
 Sei que temos limitações, que somos pecadores, tenho plena consciência de minhas falhas seja na família, comunidade, enfim nos meios em que vivo, sei da pessoa de gênio forte que sou, mas estou sempre aberto ao diálogo, pois acredito que são através da conversa que podemos viver em um mundo melhor.
 Apesar da hierarquia da Sta. Igreja ser tão forte capaz “matar” qualquer um que questione ou não aceite guela abaixo o que é dito sei da importância do sacerdócio, e acho bonito, afinal é uma vida doada para a construção de um outro mundo possível e não generalizo pois muitos se doam verdadeiramente ao projeto de Cristo e sua opção pelos pobres e marginalizados da sociedade. Faço aqui a memória de um padre querido, que não conhecia pessoalmente, mas seus testemunhos foram tantos que a cada dia quando abro meu e-mail vejo. Padre Gisley, assassinato por jovens no dia 15 de junho de 2009.
  
"Cria-se um filho para matá-lo depois" 
Pe. Hilário Dick

Ufa, foi um desabafo, deixo em aberto para quem quiser comentar deixar um recado ou enviar um e-mail para douglas.ferreiradossantos@gmail.com acolherei de coração.
  
Festa de Corpus Christi, segunda vez que não irei participar, mas quero agradecer algumas pessoas que de alguma forma contribuíram para minha formação e trouxeram essa celebração para essa pequena cidade.
Talvez ninguém mais lembre e nem a comunidade questiona o porquê esses jovens não estão presente na celebração.

 Aline, Salete, Estela, Maria Suelem, Simone, Juliano, Diego [...] 
obrigado, um grande abraço e sorte na trajetória.   
                                                                                             
Douglas Santos

30 de mai. de 2010

Ciranda de palavras

Com seus gemidos de dores ao fundo
Sendo trilha sonora neste domingo
Fico aqui sentado ao ritmo de uma vida que está se indo
 
A falta de ação ainda está presente
Correr? Caminhar? Não dá!
Consigo somente pular

Dizem que a esperança é a última que morre
Não acredito, a minha acaba de morrer
De agora em diante nem sei mais o que passo a ver

As reações dos estranhos vou levando como afronto
De mostrar, passa a julgar de que agora tenho que pagar
Por um confronto que um dia quis realizar

As palavras que me soam são como ciranda
Palavras repetitas ou palavras que ainda estão para ser ditas
Mas que já não fazem mais sentidos, somente palavras malditas

O sonho o tempo levou agora é somente rastros na areia
Marca deixadas, marcas registradas
Da imensa dor que alguém passou

Escrever é a melhor saída
Numa folha amarelada deixo as minhas marcas
Ciranda de palavras, sobre a ciranda da vida.

Douglas Santos

Passa Vida

" A vida passa
e a gente acha graça
das desgraças
de quem passa"
Douglas Santos

26 de mai. de 2010

Rala Bela



De sorriso no rosto
olhos vibrantes
bocejando a noite mal dormida
inquieta querendo viver a vida.

Calça que modela o corpo
Com uma expressão de interesse
Sempre meiga, sempre inteligente.

Mas o perigo se aproxima
sinto no peito apertado
o perigo ao meu lado.
Lembro-me do que fiz
foi um mal necessário.

Mas tua presença ao meu lado
Faz eu esquecer de tudo isso.

Douglas Santos